sábado, 19 de dezembro de 2009

Malas feitas.



Noite quente de um dia sem fim, traz o sol... ela quer sair pra brincar. Nostalgia apreendida de imenso esplendor, traz os braços para lhe confortar. Conte uma história com final feliz, daquelas com andorinhas, caminhos floridos e grandes nuvens brancas em formas de anjo. Encosta teus pés na próxima onda para poder olhar o mar... E o infinito te trará de volta. O retorno à lucidez. À falta de equilíbrio... Como as voltas leves e a água que caía, se contradiz. Ausência de algo que prefere não achar.
Fundo negro de luz amarela inalcançável às mãos.
Ah, esperança ao fundo da caixa... afirmou que não há solução.
Mostrou o caminho mais curto, mas esqueceu uma flor.

Flor pequenina, de folhas secas e raiz pequena. Escondendo o que restou do brilho, encolhida e curva em um canto da estrada. Flor do sorriso belo, de interior melancólico.
Erguida ao sol, se abre como se pudesse voar. Enxerga o mais claro raio de luz... mostra. Mostra a pétala azul solta ao vento, misturando-se ao céu.
Beleza imensurável gerada à partir da imaginação.

Enchendo de lágrima dois olhos secos e frios. Como o sorriso do menino que escreve, como a tristeza do menino que ri, como a distância que quero perto daqui.
Não é de beleza o que você não vai ler.


É de alegria e um sonho... que trouxe de volta pra mim.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Tento.



A injusta linguagem dos homens que te cala e te traz um anseio subversivo à paz, recompensando a paixão que sentiu.
Procurando-se no espelho em que não se vê, percebia ao menos uma parte sonora de seu grito abafado, e o fôlego iluminando o silêncio até o pôr do sol.
O cansaço alegando a ilusão e um sonho.
Por toda simplicidade poderia prosseguir, levando entre os ombros a afeição inexistente ao lado de uma aspiração de solidão inválida.
Desfazendo-se das 4 diretrizes, esqueceu a porta aberta ao anoitecer.
Ausente em corpo e alma.
Com as metades separadas entre cacos, condolência, e manifestação de sentimentos.
Inconsciente...
Processando onde se encontravam todos os pensamentos que não lhe pertenciam.
(Onde será)
Não teve medo de chorar. É apenas um jogo de fracassos... e da mais pura sensação de alegria incontida e passageira.
Era a falta de razão como motivo pra continuar.
Esperando a hora em que as palavras guardadas seriam entregues.
Mais uma vez, se vai.
Olhando ao fundo do espaço e imaginando um lugar em que não exista controle. Poderíamos, enfim, sentarmos com a solidão. Sem necessidade de falas nem canções.
Todas aquelas pessoas distantes, descendo ao fundo... talvez elas tentem realizar seus desejos.
... Lugar vazio, de milhões de corpos que se trombam.

Não aponte a luz que cega meus olhos, não tire de meu rosto o sorriso que me restou.
A esperança única que você procurava, em minhas mãos.

Parando de rodar ao longo da estrada.
Estará em ti a cor em preto e branco da multidão que se rebate em busca do incompreensível.
Um lugar que só você poderá ir.

Não mantenha-se em pé. São só nuvens que voltarão no inicio do novo dia.
Te colocaria o coração nas mãos e as palavras que flutuaram aos céus...

Solto sua mão.

Sobre o futuro,
sobre as promessas.
Nada teria feito sentido, se não estivessem por trás de seus olhos... naquele tempo que passou.

Fechei o zíper. Passei a alça da mochila pela maçaneta...
Entre a saída e a entrada... o que?

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

...com afeto.


Se apegue à verdade, em busca de uma ilusão.
Caminhe sobre o abismo junto à patologia ilimitada em direção à imensidão incompreendida e eterna.
Tão pouco pense sobre estar presente ou não. Sequer cogite a lógica.
Ferir-se a si próprio.
Torne-se digno de atenção através de gestos singelos e insuficiência de palavras.
O intelecto fraco acompanha a esperança dos riscos que se permite correr.
A metade que pode ouvir é um inteiro só, que não é só.
Falsas evidências justificarão erros múltiplos injustificáveis.
Não permita que o natural corrompa e aniquile sua natureza, desta vez.
Não te quero sábio.
Te quero cego.
Sua cegueira que vê, seu desejo, e o demais...

Hoje, adoeça.
Amanhã...

Trago um café. Um livro.
(Sorriso)
Embrulho um afeto...

Não é de comer!





"As palavras pertencem metade à quem fala, metade à quem ouve."

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eu comigo.


Queria poder escrever com as lágrimas presas no persuadir da mente de outrora, para alcançar (quem sabe) a provável libertação das sensações do agora. Sensações que me corrompem e aniquilam, com a breve e desejada esperança de que seus olhos possam recolher meus destroços ao nascer do sol futuro e transformar os vestígios de ruínas em plenitude.
E em breves sons que não te digo, mas escrevo, articulo todas as significações. E espero, segurando nas mãos o centro de minha circulação (retirado do lado esquerdo do peito, da sede de toda minha sensibilidade moral), que você chegue com um sorriso puro e intenso, concluindo minha lamúria.
Pois nem homens que acreditavam tudo saber, que acreditavam qualquer verbo conjugar, ou qualquer expressão compreender, foram capazes de sentir as 26 linhas escritas, que em nada foram ouvidas perante o coração.

Barbante.


Pelos trilhos distantes e enferrujados que assistiram o mês de novembro, já se foram o trem das lágrimas viajantes com suas malas de bolha de sabão. Os dois aflitos tentando voar do balanço vermelho ao fim do caminho ou ao meio. Pouco escondido, ao lado do rude, estava o cinza. Ali, parado, olhando ao último vagão a caixa de papelão de diamantes. Dentro se via um pequeno pedaço de vida. Pequeno, tão pequenino, que mal se via o rabo! Mas que sorriso bonito ele continha. E a amante do vestido branco, com plumas e pétalas perto do nariz, chorando. Pelo amor perdido, o afeto torcido, ou o que não pôde perceber. Entre o bigode, o suspiro, diferente daqueles de Isaura. Um suspiro querido, ao lado do amigo, que segurava o lenço das formas de algodão que deixara de ter.
A estação girando o relógio dos ponteiros das confusões, observando o mais belo dos sentidos, que não se vê. Cavou a angustia em casa, no fundo do quintal.
Frestas indo e voltando ao lado dos seis.
Viu a amante.
Que bonito o infinito do brilho que se via de lá.
Olhava ao tumulto, cheio de vazio, acenando à saudade.
Sentou-se ao seu lado com a falta de ar do segundo primeiro momento. Retorceu o barbante... estendeu a mão. A flauta do silêncio mais sonoro que podia tocar. E ela respondeu:
- Só queria você.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

...tentou voar




Com suas memórias e o velho livro nas mãos, relendo o parágrafo depois do das andorinhas. Seguindo até o 29, aqueles afetos que tinha pra entregar. Esperando, sem saber se já é tarde demais. É mais bonito assim, distante do infinito, o dia deixado pra trás. O menino sabia que não adiantaria pedir para ela ficar. O primeiro raio de sol dizia quando partir.
Ninguém vai saber, nem mesmo todas as ondas, a profundidade do mar.
Ninguém mais. Guarde seu coração...
Se, como uma rosa, tirá-la de lá, vai se machucar. As mais belas pétalas espalhadas ao chão, sob a marca dos espinhos que deixou para trás. Peça mais um segundo antes de se despedir...
Não chore,você. Não é tão ruim assim. Mais uma estação que se vai...levando, uma à uma, as estrelas contadas naquela noite de frio.
Guarde um momento eternamente. Bem ao fundo, como uma lenta redenção.
Entre a distância e o tempo, quem vai separá-los dessa vez? Ele vendeu os sonhos, tentou voar. Tecido de sentimentos, sem coragem na ausência, sem a lágrima que faltou.
Na imensidão, escuridão, de seus olhos fechados, brotou-se a flor... sem pranto nem querer.
Segure-a nas mãos e diga que é parte de ti.
Pergunte porque o medo do céu.
Peça para te libertar.
E a espere dizer, como a imensidão vazia do peito:

- Só posso te oferecer uma despedida... Boa noite.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Inverno


A tela está piscando dentro da sua mente até o último segundo de som e imagem que ela possa processar. As letras pequeninas sobre o criado disseram em silêncio que não há como parar. O que destrói é o que é. Tarde demais! Devolva as ilusões e fuja de suas loucuras. Saia do fundo, o mar está elevado sobre a sua cabeça. Sua natureza se perdeu em cada gota de água do balde que evaporou. Nem se sabe mais ao que pertence. Não se sabes quem é. Alguma voltagem pra te acordar, alguma alucinação pra te fazer voar, apenas uma corda para se sufocar. O número no bolso te leva ao outro lado... Onde a televisão é muda, o sorriso é sincero, e o azul dilatado é esperança. Você não sabe da realidade. Deixou o número vazio, a voz calada e os olhos de desespero despedaçados. Não és nada! Leve essa imensidão colorida ao lado do flerte. Sua dependência te destrói com seu medo. O telefone tocou...

A tela também.